Folgas bem (mal) tiradas
Pois é, de um jeito bem brasileiro, estou voltando aos trilhos; esse descanso foi realmente mais extenso do que eu pensava.
Nunca pensei que faria falta postar…necessidade ainda não explicada.
Afinal, é madrugada, e eu aqui, postando.
Carnaval terminou. Hora de limpar a sujeira, esperar os desfiles finais de Mocidade e Beija-flor, e, claro, enterrar os 198 mortos. Disseram que o resultado foi melhor do que o ano passado (das escolas de Samba ou das fatalidades?). Nunca saberemos.
Abrindo um espaço para cinema, os filmes que resguardaram meu feriadão foram “Cazuza” e “Zuzu Angel”.
Por pura falta de atenção, fui só depois perceber que os dois tinham Daniel de Oliveira como um elo. Sem dúvida, ele é um ator ímpar, excelente…

“O Barão toca Rock; e Cazuza, música”
Em “Cazuza – O Tempo não pára” , as opiniões sobre a forma que Cazuza levou a vida se separam em dois blocos: o primeiro responde a pergunta da crítica do colunista do Jornal Folha de São Paulo, Contardo Calligaris:
“Cazuza mordeu a vida com todos os dentes. A doença e a morte parecem ter-se vingado de sua paixão exagerada de viver. É impossível sair da sala de cinema sem se perguntar mais uma vez: o que vale mais, a preservação de nossas forças, que garantiria uma vida mais longa, ou a livre procura da máxima intensidade e variedade de experiências?”
E a outra massa acredita que Cazuza não foi gente, não foi ídolo, muito menos poeta; foi mais um gay querendo aparecer na mídia, levando os jovens a se drogarem e a seguirem uma ideologia rebelde sem causa.
Escolham suas armas.
A meu ver, Cazuza não foi poeta, nem ídolo, nem músico. Cazuza foi música, foi Cartola, foi Ney, foi poesia, Cazuza foi Ideologia.
A necessidade de se exasperar, de realmente não pensar em crepúsculo no fim dia, fez de Cazuza uma imagem forte de alcance de sucesso da maneira mais difícil de efetuar e obter sucesso: autenticidade. Agenor era Cazuza. Caju era Cazuza. Cazuza era Cazuza e ponto; inconfundível e intransponível. Ilimitado.
A AIDS não significou consequência simplesmente, significou um abismo que muitos se jogaram, mas poucos conseguiram fazer da desgraça, melodia. Isso não o salvou, mas o tornou rocha. Ele então não vendia suas desgraças, ele continuava o que sempre fez: tirava proveito de tudo o que aparecia em sua frente.
Ele não só mordeu a vida com todos os dentes. Ele a mordeu, a explorou, experimentou do bem e do mal, transitou na tênue linha entre dinheiro e felicidade… Talvez ele tenha descoberto a felicidade, que ela estava longe da vida de burguês que tinha. Mas seu fim, não foi feliz, e ele o descobriu quando a mandíbula e os dentes fraquejaram.
Ninguém sairia ileso, ninguém, ainda temos boca pequena. Pequena e educada. Educada para tomar como exemplo aqueles que morreram por algo, em praça pública. Todos vemos, aprendemos e escolhemos. Mas se escolhermos o excesso, temos que aprender a não mais ter escolhas.
Cazuza foi confusão e sofrimento, tardio e precoce.

“Vida louca. Vida breve”
No filme “Zuzu Angel” , são retratados momentos de nossa história que mancham ainda mais nossa imagem, nosso pendão. A ditadura militar foi um período sombrio, calado e mais do que bárbaro. O ditado diz que “sempre onde houver repressão, haverá resistência”.
Em relação a nossa história, podemos mudar um pouco o dito.

“onde houver resistência, haverá massacre”
Todo o filme (baseado em uma história real) gira em torno do que uma mãe é capaz de fazer por um filho. Stuart Angel (Daniel de Oliveira) é estudante e militante do grupo MR-8, e sua mãe, Zuzu Angel (Patrícia Pillar) faz o possível e o impossível para encontrá-lo, após denúncias anônimas. Cartas, telefonemas… e tudo isso, em pleno Regime Genocida Militar.
O que isso significa? Prisões arbitrárias, torturas, desaparecimentos… Tudo isso acontecendo, trâmites internos absurdos e uma mãe estilista, que no começo também parecia levar a situação no tudo bem (mas quando entende o ideal do filho, passa a defendê-lo também) aparece e enfrenta todo um Estado manipulador e cruel.
A história é verídica, o sucesso da missão, talvez não.
“Zuzu Angel” deixa uma impressão de que, apesar do regime ter terminado, dos movimentos terem ganhado notoriedade e, logo, papel transformador, as seqüelas tendem a permanecer. Nos tornamos mais calados, mais acomodados, mais compreensíveis em relação à condição que estamos… Estamos regredindo radicalmente. Estamos aceitando mais naturalmente tudo o que é colocado na nossa frente.
Mas, se em nossos olhos não há cal, e se em nossos corpos não correm descargas elétricas, por que continuamos aceitando tudo isso?
Eles finalmente conseguiram o que queriam, controlam uma nação inteira sem mais precisar matar subversores.
“SORRIA!Você está sendo manipulado”
Dúvidas? Consulte Muito Além do Cidadão Kane

Esse será meu comentário mais vazio,
se tem algo que me recuso a comentar, é sobre aquilo que eu tenho opinião.
Quanto a Globo, continuo a defender sua não-manipulação, e deixo em aberto uma discussao muito menos superficial.
CAZUZA!
sem mais.
analizar o que se ve é o melhor remédio.se escolhemos o que comemos,porque nao escolher o que se ve?somos a ideologia.somos a rede globo,e sabe porque?porque tranformamos ideias,inventamos avioes,mas nao possuimos aquela ideologia de liberdade que a ditadura banguela nos prorpocionava,somos o latao de lixo dos maiorais,somos porque deixamos!é hora de voltarmos a ter ideais e darmos valor aos nossos principios patriotas.
a tv globo è demais a emissora que transmite tudo que o homem pressisa adiqurir.
queria que mudace o programa do fastão com novas atividades esta precizando.