Saúde!
A questão de saúde pública no Brasil é um problema. Bom, se você colocar isso no título da sua redação vai ganhar aplausos de seus coleguinhas, e um bilhete escrito “Cuidado com os pleonasmos”.
Mas não vamos generalizar! Vamos entender a questão lembrando um episódio que ocorreu ontem.
Fiquei sabendo que o Dose Certa, programa do governo do Estado de São Paulo, cobre remédios de Custo Elevado (acima de R$100), o que entra no meu caso. Sempre é bom economizar 200 reais, certo?
A orientação era a seguinte: tire o cartão do SUS (Sistema Único de Saúde), traga um atestado do médico e a receita do medicamento.
Para tirar o cartão do SUS é simples: é só ir a qualquer posto de saúde levando os documentos básicos e um comprovante de residência, e pronto, tem-se o cartão.
O porém não está aí.

“José Serra nessa, pelo menos, acertou”
Retirar os medicamentos foi mais do que fácil. O problema está nos outros serviços que deveriam ser melhor prestados.
Estava eu, esperando na fila, e havia algumas pessoas na minha frente, uma senhora, de avançada idade, e duas mulheres, jovens, entre 20 e 25 anos.
A senhora estava atrás do horário de sua consulta. Uma das duas funcionárias públicas, Dayse, foi atendê-la, apesar de ela não estar na fila.
“Posso passar ela na frente de vocês?”
“Sim, é lei; direito garantido pelo Instatuto do Idoso” Respondeu minha mãe, que estava ao meu lado.
Ela tem sangue Russomano, essa é minha suspeita.
Voltando, ela foi atendida pela funcionária, mas teria que voltar no dia seguinte. Perdera a consulta.
No caso das duas mulheres à minha frente, pareciam ter realidades bem parecidas. A primeira procurava uma consulta, pois estava grávida de 2 meses. Sabe-se lá quando foi possível marcá-la.
A segunda, grávida de 6 meses. Não havia feito sequer o pré-natal.
Chegada minha vez, fiz meu cadastro e obtive, na hora, meu cartão. Quando peguei, perguntei à Dayse: “O que você acha, como funcionária pública, sobre a saúde pública?”
A resposta não tardou “Muito ruim, extremamente ruim. Não recebo aumento salarial há 12 anos e os deputados, senadores, que também são funcionários públicos, propõem aumentos astronômicos, beirando aos 90%.”
Quando minha mãe ressaltou a lei dos idosos, passou os olhos em 2 avisos, espalhados pela sala:
“Art. 331 - Desacatar funcionário público no exercício da função ou em razão dela:
Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, ou multa.”
Deu até para engolir seco. O problema não está só no governo, que deixa em situação de extrema carência o serviço público de saúde, mas, às vezes, de profissionais que abusam da lei, tornando-se imponentes, perante uma condição favorável: olhou torto, não gostou? vai preso.
E essa carência, tanto de povo, quanto de urgência, vai se proliferando, chegando a estágios onde nem mais acreditamos em mudanças.
Falando em mudanças, o ministro da Educação, Fernando Haddad, disse ontem que, até 2010, o piso salarial dos professores da rede pública será de R$850.
O fato de, em algumas regiões, o valor de R$850 já ser piso salarial gerou protestos hoje, em São Paulo.
Falando em escolas públicas, o Presidente Lula discursou esses dias, e ressaltou que, até o fim deste ano, todas as escolas técnicas (inclusive as que seram concluídas no mesmo período) terão internet banda larga; e, até 2010 (como está previsto no PAC da Educação), todas as escolas da rede pública gozaram do mesmo recurso.
Isso gerou comentários, do tipo:

“Bebeu?”
Isso vai fazer gente se revirar na cova.

“Adoro uma saidera presidencial”
Isso me lembra uma história…
Pois é…Yeltsin = Jeremias Russo?
Nã, não vamos profanar os mortos, certo?

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